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A serpente

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Parte 6

A serpente

Gênesis 3:1-7

A serpente é diferente dos outros animais. Mais esperta, mais atenta. Ela se aproxima da mulher entre as árvores e fala. "É verdade que Deus proibiu vocês de comer de todas as árvores do jardim?"

A mulher balança a cabeça. "Não, podemos comer dos frutos das árvores. Só daquela ali no meio Deus disse para não comer, nem tocar. Senão a gente morre."

A serpente inclina a cabeça. "Vocês não vão morrer, não. Deus sabe muito bem que no dia em que comerem, os olhos de vocês vão se abrir. Vocês vão ficar como ele — sabendo o que é o bem e o que é o mal."

A mulher olha para a árvore. O fruto está ali, ao alcance da mão. Ela repara como é bonito. Parece bom de comer. E se for verdade? Se aquele fruto puder abrir a mente, mostrar o que ainda não se vê?

A mão dela se ergue. Os dedos tocam a casca. Ela colhe.

Morde.

O homem está perto. Ela estende o fruto para ele. Ele olha para ela, olha para o fruto. Pega. Come.

E então acontece. Algo muda. Os dois se encaram, e pela primeira vez seus olhos descem pelo corpo um do outro. O peito aperta. O rosto esquenta. Onde antes não havia nada, agora há vergonha. Eles se abaixam, arrancam folhas de figueira, amarram umas nas outras e cobrem o corpo.

O jardim é o mesmo. Mas eles não.